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COMUNIDADE

TERÇA FEIRA 03 DE DEZEMBRO DE 2019  

Aconteceu Fado no Graciosa Community Center de Toronto

Por Avelino Teixeira

Aquele baluarte da cultura graciosense também se poderia considerar “Catedral do Fado” porque é assim que se parece o seu majestoso salão de festas.

O Fado, considerado pelos peritos na matéria como Cantiga Popular de Lisboa, não foi uma importação mas sim o resultado de uma fusão histórica e cultural que ocorreu em Lisboa na segunda metade do Século XIX, se bem que muito antes disso já havia predominado nos ambientes menos dignos da capital portuguesa. As suas origens boémias provêm das tabernas do vinho carrascão, dos bordéis e ambientes de orgia e violência entre os seus seguidores. Por isso se tornou condenável aos olhos da Igreja que desde cedo, sem sucesso, tentou impedir a sua evolução. Algumas igrejas chegaram a instalar altifalantes no seu exterior para transmitir os serviços religiosos tentando assim impedir os momentos fadistas. Era assim no tempo da Severa nascida em 1820 , Maria Vitória, de origem espanhola, nascida em 1888, e de Maria Cesária, da qual se desconhece a data de nascimento, que terá sido famosa nas décadas sessenta e setenta do Século (XIX). Foram estas as mulheres mais reconhecidas pelos entendidos na matéria como sendo as primeiras vozes do Fado registadas nos anais do Fado.

Existem gravações em áudio da voz cristalina de Maria Vitória, mas da Maria Cesária infelizmente não. Depois delas veio Ercília Costa que levou pela primeira vez a Cantiga Popular de Lisboa além fronteiras, no entanto é Amália Rodrigues que goza desse privilégio. Esse atributo poderá levar os esqueletos dos peritos do Fado a se rebolarem nos seus próprios túmulos. Mas foram essas vozes bonitas de outrora que influenciaram as vozes dos nossos atuais fadistas alguns, felizmente, a viverem entre nós. É o caso de Clara Santos natural do Distrito de Aveiro a viver no Canadá desde os cinco anos de idade. Fadista castiça com garra e estilo próprio que no sábado 30 de novembro participava num evento fadista levado a efeito pelo Graciosa Community Center juntamente com o talentoso Tony Gouveia acompanhados por Hernani Raposo à Guitarra e Pedro Joel na Vila.

Tudo começava com Matehew Correia, Diretor das relações públicas daquele clube, dando as boas noites e agradecendo a presença de mais de uma centena de convivas que ali se havia aglomerado para ouvir Fado. Depois introduzia Quelminda Ivo, Presidente do executivo, que se mostrava radiante por ver a casa bem composta com sócios e pessoas que apoiam o Graciosa Community Center como era o caso da presença de um grupo de amigos vindos de Sault Ste Marie, e de um casal chinês que curiosamente tinha vindo ao Fado. Depois desejava bom proveito para o suculento jantar que iria ser servido pelos voluntários cuja ementa constava de um especial Caldo Verde e o célebre Bacalhau com Batata a murro bem como da sobremesa.

Eram aproximadamente dez horas da noite quando Mathew Correia voltava ao palco perfeitamente decorado por ele próprio para anunciar o espetáculo. Porém, antes de o fazer, anunciava os próximos eventos para o mês em curso: Dia 14 Natal da Criança, e dia 31 passagem do ano. Depois, encarecidamente pedia aos sócios para assistirem à primeira reunião da Assembleia Geral a realizar no dia 8 na qual será contemplada a formação de uma nova direção visto que a atual termina o seu mandato em janeiro de 2020.

Posto isto, para iniciar a primeira parte do espetáculo, chamava então ao palco Hernani Raposo e Pedro Joel para acompanharem Clara Santos que, habitualmente vestida rigorosamente, cantou quatro fados um dos quais “Alma fadista” com letra de sua mãe e música de Hernani Raposo que está sendo o seu cartão de visita. No final da sua atuação introduzia Tony Gouveira. Este, depois de ter cantado quatro fados, terminava a sua atuação com “É pá canta lá o Fado” pedindo ajuda do público para com ele cantar o estribilho. Assim o fizeram rendendo-lhe um merecido retumbante aplauso. Prova de que as cantigas tradicionais estão sempre na mente do povo português.

A segunda parte do espetáculo iniciava-se com Tony Gouveia que a certa altura falando da Severa a ligou à canção “Oh tempo volta para trás” cantiga que em tempos de rebeldia em Portugal fora rejeitada mas agora é aceite de bom grado. Parecia não haver um indivíduo na sala que não participasse no estribilho.

Tony terminava a sua brilhante atuação de uma forma bem apropriada à quadra festiva que se aproxima com “É Natal” do saudoso Fernando Farinha. Depois convidava Clara Santos para dar o ponto final a uma noite de Fado que certamente ficará registada no mandato de Quelminda Ivo que em princípio se mostrava preocupada por ser a primeira vez que o fazia.

Clara Santos voltava e com muita destreza sensibilizava a audiência cantando de olhos fechados “Ser fadista”. Depois explicava porque o fazia. Terminava a sua atuação descendo do palco para cantar sem microfone “Oh Malhão Malhão”. Mas antes de o fazer em inglês disse: é assim que se canta nos retiros do Fado em Portugal. Cantava por entre o público e cantando com ele merecia uma prolongada e estrondosa ovação.
Estava então terminada a noite de fado. Contudo os músicos continuavam no palco agora com Tony Gouveia e sua guitarra clássica para numa suave transição tocarem músicas antigas e tradicionais para que toda a gente dançasse até às primeiras horas da madrugada, enquanto lá fora a temperatura descia anunciando uma tempestade que se avizinhava para lembrar que dezembro começava naquele dia.

 

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