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POR TERRAS DA CALIFÓRNIA

QUINTA FEIRA 01 DE OUTUBRO DE 2018  

ADELINO TOLEDO – CALOU-SE UM VOZ NA DIÁSPORA

Por Liduíno Borba

É com os olhos meios turvos que tento alinhar estas últimas palavras ao meu amigo Adelino Toledo. Ainda no rescaldo na minha viagem à Califórnia, neste passado mês de setembro de 2018, surge a triste notícia do falecimento, neste sábado 27 de outubro, desse grande homem e improvisador.

Antes de partir, tive a desagradável informação que lhe tinha sido diagnosticada leucemia nos últimos exames que fizera. Na Califórnia, marquei uma visita, com o nosso comum amigo Vital Marcelino, ao Hospital da Universidade de São Francisco, onde ele estava hospitalizado. Encontrei-o sorridente, confiante e bem disposto. Conversamos, trocamos ideias, relembramos algumas quadras do improviso, mas tivemos uma despedida muito sentida e penosa, como que prevendo um desfecho nada bom.

Adelino Borges Toledo, de 62 anos de idade, nasceu no dia 5 de dezembro de 1955, na freguesia das Fontinhas, concelho da Praia da Vitória, ilha Terceira, Açores. Era filho de Álvaro Meneses Toledo e Elvira Borges Ferraz. Para além dos irmãos, cunhados e sobrinhos deixa de luto sua esposa, filhas e neto.

O primeiro livro que escrevi, para figuras ou organizações da nossa comunidade emigrada foi, em 2011, “Adelino Toledo – Uma Voz na Diáspora”, com dados biográficos deste incontornável improvisador, muito acarinhado pelos amantes da cantoria. A ideia do livro teve o apoio do nosso amigo Euclides Álvares, que, por sinal, foi o primeiro a dar-me, ontem a notícia desta morte, quando acabava de fazer o seu programa radiofónico, de mais de 40 anos, “Voz dos Açores”.
A respeito do referido livro, ainda em 2010, quando combinamos alguns pormenores, eu na Terceira e ele em Hilmar, localidade de sua residência, preparei uma maqueta da capa, que depois levei comigo. Tínhamos jantar marcado em casa do amigo Euclides, como veio a acontecer no dia 16 de setembro. Já tinha formado a minha opinião positiva sobre a elaboração do livro, pela investigação que já tinha feito, mas ele insistia humildemente que devia consultar mais dados para então decidir se se devia fazer o livro.
Entreguei-lhe a maqueta e com elevada emoção, com uma lágrima rosto abaixo, disse com voz trémula “só tenho pena de meu pai não estar vivo para ver isto…”. Dali fomos para sua casa, onde ele tinha organizado uma pasta com toda a documentação julgada necessária para tal escrito, como pessoa organizada que sempre foi. O livro foi editado e lançado em 2011. Em junho foi lançado na ilha Terceira e em agosto na Grande Festa da Assunção, em Turlock, Califórnia, a sua paróquia.

Adelino Toledo, na sua viagem à ilha Terceira, foi convidado das Sanjoaninas 2011 para o Pezinho e Cantoria, participou ainda, no dia 10, no lançamento do livro na Sociedade das Fontinhas, no dia 12 numa grande cantoria de homenagem, no dia 17 nas Sanjoaninas, no dia 19 na cantoria do Terreiro de São Mateus e, por fim, no dia 1 de julho numa cantoria no lugar da Fontinha. Cantou e encantou.
Na cantoria do dia 12, na Sociedade das Fontinhas, quase no fim do desafio, e com toda a gente na sala de pé a aplaudir, o Eliseu cantou-lhe:

Povo bom cheio de fé
Que este ambiente aquece
Reparai em quem está de pé
E, Adelino, o reconheces
Que nem tudo o que parece é
Mas tu és o que pareces.

Na penúltima estrofe que Adelino ali cantou deixou esta grande mensagem:

Adeus senhor e senhora
Do lugar onde nasci
Eu em breve vou-me embora
E saudades já senti
Mesmo que eu morra lá fora
Tragam meu corpo para aqui.

Ainda nesse dia mas com todos os cantadores em palco, pouco tempo depois da morte do improvisador José Pereira, natural das Fontinhas, Adelino encerrou assim:

Adeus homens da poesia
Orgulho desta Terceira
Deixo um beijo à freguesia
Até um dia que Deus queira
E rezo uma Ave Maria
Por alma do José Pereira.

Nas Festas Sanjoaninas participou no Pezinho e cantou com João Ângelo e Maria Clara. Em São Mateus cantou com o Fábio Ourique, António Isidro e fechou na Desgarrada. Em São João, na Fontinha, cantou com o Hélder Pereira e José Fernando e encerrou com a Desgarrada.

Faleceu um grande terceirense, amigo, honesto, improvisador e um HOMEM.

Os sentidos pêsamos à família enlutada.

 

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