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POR TERRAS DA CALIFÓRNIA

TERÇA FEIRA 30 DE OUTUBRO DE 2018  

GUSTINE AINDA É O PONTO DE ENCONTRO

Por Liduíno Borba

Na minha deslocação à Califórnia, entre 6 de setembro e 7 de outubro, tive a oportunidade de participar nas Grandes Festas de Gustine em Honra de Nossa Senhora do Milagres de 2018, que se realizaram entre 31 de agosto e 10 de setembro. Foi convidado para presidir às festas o Cónego Jacinto Bento, pároco da freguesia de São Pedro, na ilha Terceira, membro do Conselho das Migrações e destacado organizador das viagens à Terra Santa. É pároco do Santuário de Gustine o padre Leonard Trindade.
Estas Festas começaram no ano de 1936, com uma extraordinária organização de membros da comunidade açoriana emigrada, mas com um destacado impulso de Manuel B. Sousa, oriundo da ilha de São Miguel, Açores, conhecido por Manuel San Miguel, que ao visitar a ilha Terceira por volta de 1934, participou na Festa de Nossa Senhora dos Milagres, na freguesia da Serreta, trazendo na ideia a organização duma festa em Honra da mesma Nossa Senhora. E assim foi.
É a maior festa religiosa da diáspora açoriana, juntando peregrinos de toda a Califórnia e de outros lugares e países. Continua a ser o PONTO DE ENCONTRO de muitos emigrantes, que só se encontram anualmente nesta festa, apesar de atualmente existirem muitos, bons e novos meios de comunicação.

As Festas de 2018 tiveram como presidentes o casal Luís e Jennifer Nunes, ele oriundo de famílias de Santa Bárbara, Terceira, e como Vice-presidente Domingos Ponceano, meu compatriota da freguesia de São Mateus da Calheta, que presidirá às Festas de 2019. As rainhas e aias foram: Darian Nunes; Heaven Elisary; Hope Brasil Braaten; Josie Nunes; Clara Amorim; e Cheyanne Verissimo.

Para além das Novenas, que começaram no dia 31 de agosto, com pregação do Cónego Jacinto Bento, realizou-se uma grande noite de fados, no dia 6 de setembro, com os fadistas Fábio Ourique, Jesualda Ferreira, António Isidro e Sandra Correia, acompanhados por António Isidro (guitarra), Manuel Mendes (viola) e João Cardadeiro (viola baixo), numa sala, como sempre, bem decorada.

A sexta-feira, dia 7, foi reservada para um espetáculo no Parque Henry Miller, ao lado do Salão, com a atuação de “7 Mulheres”, um bonito serão de música portuguesa, seguidas dos Comediantes “Português Kids”, vindos da Costa Leste, que alegraram o pessoal com as suas bem-humoradas intervenções em inglês, com “meias-palavras” em português.

Para mim, foi a primeira vez que assisti a um espetáculo em inglês numas festas da comunidade portuguesa, e não vejo nada de mal nisso. Primeiro, a tradição na forma de organizar e celebrar a festa mantém-se como eram as nossas raízes, com as devidas adaptações obrigacionistas; depois, já é muito diminuta a percentagem de emigrantes portugueses que não percebem a língua inglesa; as novas gerações já estão integradas em tudo o que se desenrola da sociedade americana, mas respeitam e mantêm desejos de descobrirem as suas raízes; as celebrações religiosas são uma mistura de inglês e português; as arrematações (auction) há anos que se fazem em língua inglesa; as cantorias, as rainhas e comissões, a tourada de praça, etc. são apresentadas em língua portuguesa. Enfim, uma mistura e adaptação às realidades envolventes. Nada de mal.

No sábado, depois das 10 horas, realizou-se o tradicional Bodo de Leite, do lugar do Santuário para o Salão, acompanhado de Pezinho, pelos cantadores Manuel dos Santos, Fábio Ourique, António Isidro, João Pinheiro, António Azevedo, José Ribeiro, acompanhados pelos tocadores Manuel Ávila, Dimas Toledo e Tommy Vieira. O cantador Adelino Toledo não pôde estar presente por motivos de saúde. Depois do Bodo de Leite seguiu-se a atuação de diversos grupos Folclóricos. A tarde encerraria com o leilão (auction) do gado oferecido, que segundo os entendidos rendeu um pouco menos que o ano anterior.
Ainda para o sábado estavam reservados dois espetáculos: baile no Salão, com o “Conjunto 562” e apresentação das rainhas e comissão; no Parque uma grande noite de cantoria com os cantadores referidos e mais o José Eliseu que, devido a atraso do avião, só chegou no final da cantoria. Os amantes desta arte encheram por completo o Parque para ouvirem bons desafios.

O domingo, dia 9, foi o dia grande da Festa, que começou, pelas 9 horas, com a procissão da Capela do Salão para o Santuário de Nossa Senhora dos Milagres. Depois da missa regressaram em procissão ao Salão com diversas imagens, incluindo a de Nossa Senhora dos Milagres, acompanhadas de 9 Filarmónicas e 93 representações de organizações e festas portuguesas do sul ao norte da Califórnia. Seguiu-se o tradicional almoço de sopas e carne, servido gratuitamente a todos os presentes. Ainda no domingo, decorreu o habitual leilão (auction) de ofertas, dentro do Salão, que foi muito participado e proveitoso para a Festa.
Neste dia, como no sábado, houve festa no Salão, à noite, com o conjunto “20 Animar” e a apresentação das rainhas e comissão. No Parque, durante a tarde, atuou o cantor Laurénio Bettencourt e à noite foi destinada aos improvisadores. De destacar o grande desafio entre os cantadores José Eliseu e António Isidro. A noite encerrou com a despedida a Nossa Senhora dos Milagres e procissão com todas as imagens até ao Santuário Mariano de Gustine.

Na segunda-feira, dia de tourada, realizou-se a tradicional corrida na Praça Bela Vista Park, com 3 toiros da Ganadaria Açoriana e outros 3 da Ganadaria Alves e Silveira, com os cavaleiros Paulo Ferreira, Francisco Palha e João Pamplona, e com os grupos de Forcados de Turlock, capitaneados por George Martins Jr., e Forcados de Merced, capitaneados por João “Café” Azevedo. Os comentários aos toiros apresentados em praça não foram os mais abonatórios. O “Quinto Toiro” também é praticado por estas bandas.

Na ilha Terceira é tradição correr as casas dos amigos que têm residência no arraial. Aqui em Gustine corre-se as caravanas (motor home) daqueles que vêm para a festa “acampar” com a sua casa móvel. Tudo serve para juntar os bons açorianos nuns “comes e bebes”.

Esta tradicional Festa dos Milagres, como é conhecida, tem vindo a perder público nos últimos anos, mas continua a ser a Grande Festa de Nossa Senhora dos Milagres, que movimenta mais de meio milhão de dólares com o apoio exclusivo da nossa comunidade portuguesa.

 

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