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CRÓNICA DA ILHA

DOMINGO 08 DE ABRIL DE 2018  

A guardiã do Império

Começo por dizer-vos que no preciso momento em que escrevo esta crónica está um frio de rachar. O tempo como muitas outras situações mudou num instante. Já na quarta-feira depois do ensaio da filarmónica estava assim um frio pr'ó esquisito. São Pedro mandou umas chuvas para molhar os campos e nem parece primavera. Até o tempo esta mudado. Neste fim-de-semana (08.04.18) começa as “soupas” do Espirito Santo. O primeiro jantar cá da vila do Topo, terá o mordomo Pedro Brasil, antigo carteiro cá no topo.

Algo que muito tem a ver com as coroações e o Espírito Santo é o império do Espírito Santo. Antigamente quem tomava conta do império do Topo era a Ti’Ana (assim era conhecida). Senhora já idosa que me recordo sempre de ver no império. Sentada dentro no império, numa cadeira ou fora do império nas escadas, lá estava ela. Abria o império todos os dias para quem quisesse ir pagar as suas promessas poder entrar e em alguns casos deixar uma lembrança na coroa do Espírito Santo . Era como a sombra do império. Esteve sempre lá presente a tomar conta do império. Limpezas, abrir a porta, acender as velas, tratar das coroas, etc… até aos 90 e muitos anos. De baixa estatura sempre com lenço na cabeça é assim que me recordo dela.

No outro dia ao falar com o meu amigo João falava me dela. Dizendo-me: - A ti’Ana merecia uma crónica. Pelo que ajudou naquele império. Disse-lhe de pronto que ia fazer, mas no primeiro fim-de-semana do Espirito Santo. Era uma Senhora cordial e de conversa dócil tendo aquele império como sua casa. Passava horas ali junto a ele. Certamente muitos se lembram dela por cá e a recordam. Tenho a certeza que nunca cobrou valor nenhum por fazer aquelas tarefas que tinha à sua responsabilidade, e honrou sempre a coroa do Espirito Santo como merecia. Morreu a alguns anos com quase 102 anos.

Com ela aprende-mos o valor das tradições que vão passando de uns para os outros onde deu o exemplo por cá de como servir e honrar a comunidade do Divino Espírito Santo. Refiro me a isto, porque nestas alturas é que é mais usado o império, mas também no resto do ano estava lá. Muitos passaram e entraram, onde de outros lugares vinham, acabando por entrar, ver e fotografar o bonito império do Topo. Certamente alguns sabiam do que se tratava, mas outros não, levando assim recordações desta terra que tanto admiro. O seu povo e maneiras é assim. Gente que entra nas memórias com grandes imagens.
Recordo-me de um ano ter pedido para acender uma vela lá no império. Como dizem algumas pessoas, os antigos eram gente de ajudar e louvar.

Aqui fica a minha simbólica lembrança da Ti’Ana que nos deixou a alguns anos mas que nós não nos esquecemos. Eu recordo-a como a guardiã do império, e isto é mais uma das lembranças do povo da ponta que têm um ilhéu.

Texto de
Maurício Carlos de Jesus

 

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