Publicidade Venus Creations

 

 

Versão Original
(Abre numa nova janela)

English Version

Version Française

 

OPINIÃO

QUARTA FEIRA 29 DE NOVEMBRO DE 2017  

Um Te Deum laico e republicano

Por António Barreto

Te Deum é a designação de um hino que faz parte da Liturgia das Horas da Igreja Católica. É a forma abreviada de Te Deum laudamus, Louvamos-te, ó Deus! O momento apropriado para cantar este hino é o final de Dezembro, quando os fiéis agradecem as benesses recebidas durante o ano decorrido. É também inspiração para músicos que cultivaram o género: Purcell, Charpentier, Mozart, Haydn, Bruckner e outros compuseram, com este título, obras-primas festejadas por crentes e não crentes.

Hoje, as coisas tomam outras formas. Dispensa-se o génio musical. Retira-se o Deus fora de moda. Antecipa-se a cerimónia para o início do novo ano fiscal. Coloca-se em cena o objecto do louvor. Rodeia-se o sujeito de uma corte bem apessoada, que até pode ser um Conselho de Ministros, em vez dos tradicionais querubins. Adjudicam-se os procedimentos a uma agência de imagem. Contrata-se uma universidade “a fim de credibilizar” o exercício, segundo as palavras dos protagonistas.

Seleccionaram-se umas dezenas de figurantes por amostra calibrada, a quem se pagam deslocações, bebidas, um snack e um per diem de ajudas de custo (150 euros, segundo testemunhos). Solicita-se a um sacerdote que se ocupe do ritual. Os figurantes agem como se de um coro grego se tratasse, mas em intervenções sucessivas, não em coral clássico. Às perguntas inteligentes dos figurantes, o solista responde com desenvoltura. A fim de mostrar o espírito de equipa, vários membros da corte são chamados a participar.

Vozes incómodas fizeram reparos. Foi-lhes dito de imediato que “no ano passado também houve”. A quem referisse que já é a segunda vez que isto se faz, foi esclarecido que o anterior governo também tinha feito algo de parecido na televisão. Aos que estranharam a inclinação dos socialistas, de Costa e de Sócrates, para a propaganda, foi garantido que as direitas, Cavaco Silva, Santana Lopes e Passos Coelho, também o faziam.

É preciso má vontade para comparar esta liturgia honesta à propaganda das direitas! Na verdade, enquanto estas tudo fazem para enganar os cidadãos, as esquerdas apenas se limitam a ouvir o povo, escutar as pessoas, tentar perceber o seu pensamento e entender os anseios profundos da população. Só com muita má-fé se pode imaginar que este governo queira fazer qualquer coisa que não seja uma genuína e honrada tentativa de ouvir e de sentir o pulsar dos portugueses, as suas críticas e as suas sugestões!

Aqueles vinte ministros não eram os patrões dos funcionários presentes no coro litúrgico e em nada intimidavam os que, livremente, pretendiam fazer perguntas: eram coadjuvantes competentes, prontos a ouvir e a esclarecer. Aquela universidade e aqueles académicos eram dedicados à ciência e à cultura, não estavam ali para obter reconhecimento e fama junto de quem decide os orçamentos. Aquela agência de imagem desempenhou as suas funções de modo isento e com profissionalismo.

O que ali se passou não foi medíocre. Não foi armadilha nem manipulação. Não foi a transformação da informação em publicidade empacotada. A quermesse de Aveiro é boa e genuína. É uma encenação patriótica e plural. A melhor prova de que é coisa boa reside no facto de, no ano anterior, se ter feito igual. E de dois anos antes, na televisão, organizada pelo governo da direita de Passos Coelho, ter havido coisa parecida!

Os cidadãos que ali se deslocaram prestaram um serviço ao país, dispuseram-se a representar os restantes portugueses que não puderam estar todos presentes, deram ao governo dados autênticos, entre eleições, sobre o estado da nação. Fizeram-no de modo mais verdadeiro do que as sondagens que não permitem esta consulta de proximidade. Melhor do que o focus group a seguir aos incêndios, este grupo é uma auscultação em comunhão. É próprio de um governo para as pessoas, não para os números.

Par de namorados, com telemóvel, na Cidade Proibida, Pequim Em poucas semanas de visita à China, das quais uma na capital, foi este o único par de namorados que vi exibindo na rua um gesto de ternura, partilhada aliás com o telemóvel que era seguramente um objecto de interessada comunhão. Ao que parece, os chineses não gostam de liberdades excessivas, do Google e de manifestações de sentimentos na rua! Talvez a Cidade Proibida tenha inspirado estes dois jovens… O palácio que ocupa esta cidade tem seis séculos de existência. Já esteve degradado várias vezes, mas sempre recupera e renasce. É o maior palácio do mundo, uma verdadeira cidade! Consta que tem 9999 divisões, mas parece que a prova nunca foi feita! Era daqui que o imperador governava a China, o império e, julgava ele, o mundo.

Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

 

Clique aqui para ler mais notícias

Contactos - Política de Privacidade - Termos de Utilização
© Venus Creations. Todos os Direitos Reservados.