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OPINIÃO

TERÇA FEIRA 28 DE NOVEMBRO DE 2017  

Onde está o ponto de não retorno?

Por Paulo Tavares

Alexis Tsipras diz hoje em entrevista ao DN que "o mais importante problema na Europa tem que ver com a democracia" e que devemos, enquanto europeus, "tentar refazer os nossos princípios fundadores, como a solidariedade, a justiça social ou a igualdade". Tem razão o primeiro-ministro grego, sobretudo porque fala a partir de um país despedaçado pela crise desde finais de 2009. Sentir e verbalizar essa preocupação com a saúde da democracia estando aos comandos de um país com 20% de taxa de desemprego não deixa de ser louvável.

O facto é que andamos todos, na Europa e nos Estados Unidos, a ignorar sinais e avisos. Exemplos? Na Polónia a independência do sistema judicial - a separação de poderes - está por um fio e de pouco têm servido as pressões da União Europeia e dos Estados Unidos. Na Hungria de Viktor Orbán já foi reescrita a Constituição, a imprensa foi domesticada e, se ainda se pode falar de eleições livres, já não se poderá ter tanta certeza sobre se são justas. O homem que olha para a Rússia, China ou Turquia como exemplo já dobrou tantas regras que dificilmente podemos falar de um jogo democrático minimamente justo. Fora da União, mas aqui ao lado, temos o caso da Turquia. Vamos chamando-lhes afloramentos de populismo ou extremismo e dormimos descansados porque pelo menos identificámos o problema. Temo que seja bem mais e que mereça mais do que um diagnóstico.

Quem ler a história do nascimento dos totalitarismos que dominaram parte da Europa no século passado sabe que nasceram, cresceram e afirmaram-se dentro de regimes com liberdades e garantias bem mais amplas. Tudo foi acontecendo com alguma normalidade, um acontecimento perturbador e estranho a seguir a outro, até que se passou para lá do ponto de não retorno. Nos Estados Unidos, a coleção desses momentos perturbadores desde 20 de janeiro aumenta todos os dias. E em pormenores tão simples quanto a liturgia de processos da maior democracia do mundo. A reforma fiscal aprovada na sexta-feira pelo Senado - uma verdadeira revolução fiscal - é um exemplo. O documento, com quase 500 páginas, chegou às mãos dos senadores cerca de uma hora antes da votação, com emendas escritas à mão e boa parte das alterações negociada ou mesmo escrita por lobistas da Rua K em Washington. Por tudo isto, não é pouco que Alexis Tsipras identifique o estado da democracia como o principal problema da Europa.

"O governo português é o modelo para a Grécia quando sair do memorando"

 

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