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EDITORIAL

QUINTA FEIRA 02 DE NOVEMBRO DE 2017  

Uma efeméride em coro russo, de boca fechada

Por Ferreira Fernandes

Quando, há um século, os russos fizeram a revolução, era outubro (calendário juliano), mas nós já vivíamos em novembro (calendário gregoriano). Engraçado como uma disputa entre popes ortodoxos e papas católicos produziu tamanha confusão na maior revolução materialista mundial. O papa Gregório XIII mandara adiantar os relógios de quinta-feira, 4 de outubro de 1582, para sexta, 15 de outubro. Os países católicos seguiram o salto de imediato, os protestantes só dois séculos depois e os ortodoxos, como os russos, em 1917 ainda viviam nos erros de cálculo que vinham do cônsul romano Júlio César (daí o juliano). Quer dizer, a Revolução Russa começou na data cientificamente errada, prenunciando que não saberia construir engenharias simples, como máquinas de lavar louça ou escovas de dentes elétricas, o que a impediu de chegar a centenária. Na madrugada de 25 de outubro de 1917 (hora bolchevique), foi lançada a insurreição. Ganhou e foi uma tragédia. O resto da Europa vivia a data de 7 de novembro, aparentemente um avanço de cerca de dez dias, uma folga que deveria ser suficiente para avisar os russos quanto ao futuro: camaradas, não vão por aí! Mas, como já vimos, as datas diferentes correspondiam à mesma madrugada e não fomos a tempo de os dissuadir da tolice. Nota - esta crónica limita a efeméride à questão dos calendários, respeitando o voto de silêncio das diversas organizações portuguesas que se reclamam da Grande Revolução de Outubro e, sobre o assunto, nada.

 

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