Publicidade Venus Creations

 

 

Versão Original
(Abre numa nova janela)

English Version

Version Française

 

EDITORIAL

QUARTA FEIRA 04 DE OUTUBRO DE 2017  

Ensino superior privado e internacionalização

Por Manuel de Almeida Damásio

Após um período de clara diminuição da procura ao longo da última década, e de forma mais acentuada no período entre 2012 e 2015, o ensino superior privado iniciou nos últimos anos uma recuperação que se espera sustentada e durável. Foram vários os fatores que contribuíram para a diminuição do peso deste subsetor no contexto do ensino superior em Portugal:

- a diminuição global da procura, que tanto afetou o sistema estatal como privado e que resultou, acima de tudo, do ainda muito elevado número de estudantes que em Portugal abandona precocemente os seus estudos - um facto que nos devia a todos envergonhar;

- a situação de crise económica vivida no país no período e que causticou em particular este subsetor, em que os alunos têm de pagar o custo efetivo da sua educação sem beneficiarem das vantagens que em termos de preço têm os alunos do setor estatal;

- e a promulgação quase desenfreada de legislação tendente a criar maiores barreiras a todos aqueles que pretendem ingressar no sistema, como se verificou com a publicação pelo anterior governo da legislação relativa a transferências ou as limitações impostas no caso dos estudantes internacionais.

A este quadro altamente negativo e adverso reagiu o ensino privado com uma agilidade que mesmo os seus mais ferozes detratores terão de apreciar.

Os projetos educativos adequaram a sua oferta, responderam rápido e com sucesso às novas exigências nacionais - nomeadamente aquelas que passaram a ser emanadas pela A3ES - e procuraram ativamente novas oportunidades de recrutamento de estudantes e financiamento das suas iniciativas. E é neste contexto que surge a clara aposta na internacionalização.

A generalidade das IES privadas rapidamente viram na internacionalização uma oportunidade a não perder.

Neste contexto, a implementação e desenvolvimento de uma política ativa de internacionalização passou a estar no centro da atuação da generalidade das IES privadas, com um enfoque variado em duas áreas principais: recrutamento de estudantes em diferentes níveis de formação, embora com maior enfoque na formação avançada a nível de mestrado e doutoramento; e aquisição de financiamento através da participação em programas internacionais de formação e de I&D.

Se nestas duas áreas já são muitos os casos de sucesso e o inegável contributo que o setor já deu para o de-senvolvimento do país no tempo mais recente, há ainda uma terceira área crucial em que muito está por fazer. Referimo-nos à área da cooperação com os países de língua portuguesa no domínio do ensino superior. Hoje torna-se urgente, em ordem ao desenvolvimento de políticas de internacionalização mais duráveis e sustentáveis, implementar políticas ativas de apoio à cooperação com os países de língua portuguesa, assim se permitindo às IES nacionais beneficiarem da sua maior vantagem competitiva: o ensino em língua portuguesa. Várias são as oportunidades, desde o apoio a projetos conjuntos de I&D ou o apoio à mobilidade de estudantes.

Hoje, no domínio da internacionalização, o essencial é criar condições legais para a implementação - à semelhança do que já existe no espaço europeu para o famoso programa Erasmus - de um verdadeiro espaço lusófono de ensino superior.

Para nós a lusofonia é o futuro.

Presidente do Conselho de Administração da Universidade Lusófona

 

Clique aqui para ler mais notícias

Contactos - Política de Privacidade - Termos de Utilização
© Venus Creations. Todos os Direitos Reservados.