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EDITORIAL

SEGUNDA FEIRA 02 DE OUTUBRO DE 2017  

Pedro Passos Coelho há de ter o lugar que merece

Por Joana Petiz

Já muitas vezes se disse: a história há de garantir-lhe o lugar que merece. Mas isso não reduz a injustiça da forma como o país o trata hoje. Pedro Passos Coelho tirou Portugal do fundo do abismo para o qual tinha sido atirado. Foi ele o responsável por nos carregar pelo caminho de pedras que nos trouxe de novo à superfície. Foi ele quem tomou as decisões mais difíceis, quem fez as escolhas mais impopulares, quem não vacilou por saber que não havia outra solução.

Falei com ele raras vezes, não somos sequer conhecidos, mas ele merece-me o respeito de ter feito por este país o que muito poucos igualam. Podia ter largado as rédeas, podia ter cedido à tentação de bater o pé aos credores e recuperar a simpatia (e os votos) dos eleitores - uma estratégia cujos resultados bem vemos na Grécia. Preferiu aceitar a missão que lhe confiaram os portugueses que nele votaram, condenando a sua carreira a um fim precoce. Não é preciso ser político para sabê-lo, ninguém ganha votos a cortar salários e pensões, ninguém é louvado por criar sobretaxas - ainda que com prazo de validade -, ninguém se torna popular com o desemprego a subir a pique e as empresas em dificuldades.

Mas não foi Pedro Passos Coelho que provocou essas situações. A ele apenas podemos acusar de ter tido a coragem de arrumar a casa sabendo que fazendo-o passaria a ser carne para canhão - talvez sem a noção de que até no PSD o seria. E não tenhamos ilusões, se isso não tivesse sido feito naquela altura o atual governo estaria bem longe de poder dar-se ao luxo de ser o benemérito que se tem mostrado.

Passos podia ter feito diferente? Podia. Talvez outro no seu lugar o tivesse feito - não tivesse querido expulsar todos os monstros de uma só vez para a onda de choque não ser tão grande . A verdade é que nunca saberemos como ou sequer se resultaria, porque o único que se chegou à frente foi ele.

Pedro Passos Coelho pode ser obstinado, não entender que em política é preciso ter jogo de cintura e por vezes desistir de algumas batalhas para ganhar certas guerras, estar demasiado preso às suas convicções. Sobretudo não ter noção dos efeitos das decisões que tomou por não estar disposto a desviar-se um milímetro do caminho que vê como certo (veremos nas próximas semanas quanto outros, nas autarquias, estarão dispostos a moldar os seus princípios e esquecer verdades que até domingo eram absolutas). Mas, diga-se o que se disser, nenhum defeito, erro ou limitação lhe tira o mérito de ter sido o homem responsável por salvar o país no momento mais negro da sua história moderna. Acredito que, num futuro próximo, dizê-lo não dará direito a apedrejamento público, como hoje parece ser inevitável.

 

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