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EDITORIAL

QUINTA FEIRA 06 DE ABRIL DE 2016  

A renovação de Vitória

Por António Tadeia

Não fiquei nem mais nem menos convencido de que Vitória seja treinador do Benfica na próxima época só porque se soube que ele ia renovar contrato.

Durante anos, Pinto da Costa foi especialista numa manobra muito simples: sempre que a equipa de futebol atravessava períodos de maior agitação, renovava o contrato com o treinador. A prova de que o modelo Pinto da Costa vingou em Portugal é o que se passa neste momento no Benfica. Sim, o Benfica está na final da Taça de Portugal e entrou na jornada deste fim de semana em primeiro lugar da Liga, mas os três empates seguidos que a equipa acumulou no historial recente antes de encarar a deslocação ao campo do Moreirense permitiram que começasse a instalar-se a dúvida. Imediatamente se soube da renovação de contrato de Rui Vitória, um ato que vale tanto como reconhecimento do trabalho do treinador - e nesse aspeto é um ato de gestão - como vale na qualidade de manifestação de confiança para dentro e para fora do balneário - e aí aproxima-se bastante da comunicação pura e dura.O que está em causa aqui, sublinho, não é a renovação de Rui Vitória, mas sim o timing da sua concretização. Pode discutir-se a qualidade do processo coletivo, que não é nem nunca foi brilhante, mas até a aparente predileção que o técnico conferiu à expressão mais individual, à libertação dos mais capazes, teve o seu quê de estratégico. E a verdade é que com ela a equipa ganhou o campeonato com pontuação recorde, passou duas vezes a fase de grupos da Champions, já tem lugar marcado no Jamor para a final da Taça de Portugal e fez isso tudo com muita gente nova, que de caminho projetou para um patamar competitivo superior. E se a ideia é fazer um balanço de 20 meses de Vitória na Luz, ele é francamente positivo. Mas para ser justo é preciso reconhecer que já foi mais positivo do que é neste momento.É isso que leva a que se coloquem dúvidas acerca da renovação? Pelo contrário. É isso que conduz à renovação. Porque o princípio primordial que a ela conduziu não foi a necessidade de ter a certeza de que Vitória continuará à frente da equipa na época que se segue - a continuidade do ribatejano, tal como a de Jesus antes dele, não depende de nenhuma cláusula de rescisão mas sim de uma conversa a três entre o treinador, o presidente e Jorge Mendes, a chave que pode indicar-lhe o caminho de uma presumível porta de saída para outra realidade, porventura menos competitiva mas mais bem remunerada. A ideia foi, sim, dar ao treinador a legitimidade que lhe permita atacar a ponta final desta Liga com a confiança em alta. Porque esta Liga, tal como a anterior, vai ser discutida centímetro a centímetro até final e desta vez, perante a atitude comparativamente mais pacata do FC Porto face ao comportamento do Sporting de há um ano, a necessidade de tocar a reunir leva a um toque a reunir de cariz bem diferente do anterior.Há um ano, o Sporting fez parte do trabalho de que o Benfica precisava para se motivar: o antagonismo permanentemente exponenciado por parte dos responsáveis leoninos (dirigentes e treinador, este com a agravante de ter trocado um clube pelo outro no início da época) levou a que os encarnados se unissem em nome de um instinto de defesa de grupo que os fez superar todos os obstáculos, suportando-se uns aos outros mesmo quando isso parecia mais complicado. Desta vez, da parte do FC Porto, esse antagonismo está onde tem de estar: nas palavras de funcionários que, por terem menos peso na estrutura, não obrigam o clube nem causam a mesma reação no adversário. Nuno Espírito Santo mantém a atitude pacificadora que o leva, por exemplo, a reconhecer a justiça de um penálti marcado contra a sua equipa num clássico que era decisivo. Pinto da Costa pode até juntar-se a Bruno de Carvalho nas queixas contra o Benfica, mas não assume a condução do caso nem a ele se refere na primeira pessoa, também para não espicaçar o adversário.E assim sendo, sem motivos claros de revolta contra a equipa que está no caminho do desejado tetracampeonato, ao Benfica resta encontrar outras formas de abanar o balneário - a renovação de Rui Vitória foi uma delas. Mas na verdade não fiquei nem mais nem menos convencido de que Vitória seja treinador do Benfica na próxima época só porque se soube que ele ia renovar contrato. E a questão é que não creio que o fator decisivo seja sequer a vitória no campeonato.

 

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